As 6 maiores polêmicas dos animes que dividiram fãs e críticos
A controvérsia pode ser o preço da popularidade no mundo do entretenimento. Como mídia, os animes nunca escaparam das garras das discussões acaloradas. Muitas obras cruzam a linha do aceitável, apresentando conteúdo gráfico extremo, insensibilidade cultural e até problemas industriais, como censura, uso de inteligência artificial (IA), má conduta de criadores ou temas sombrios que geram choques culturais internacionais.
Os fãs de animação japonesa não são estranhos a polêmicas, especialmente em relação a encerramentos de séries. Algumas controvérsias são consideradas necessárias para o debate, como quando a Amazon foi criticada por usar IA para criar dublagens em inglês para Banana Fish e Vinland Saga, ou quando Devilman Crybaby (2018) foi questionado por sua violência extrema. No entanto, outros casos conseguem dividir o fandom em dois de forma definitiva.
6. Uzaki-chan wa Asobitai! (Uzaki-chan Wants to Hang Out!) - A Polêmica do Poster e Design
Uzaki-chan wa Asobitai! é uma comédia romântica slice of life que acompanha Hana Uzaki, uma estudante universitária que decide tirar seu veterano, Shinichi Sakurai, do isolamento social. Em 2019, a obra gerou revolta devido a um poster de campanha em colaboração com a Sociedade da Cruz Vermelha Japonesa para promover a doação de sangue.
O poster exibia Hana Uzaki com o texto: "Senpai! Você ainda nunca doou sangue? Talvez... você tenha medo de agulhas?". Críticos acusaram a Cruz Vermelha de objetificação feminina, o que gerou um drama online imenso. Enquanto fãs defendiam que Uzaki era apenas uma personagem fictícia, outros começaram a criar versões "corrigidas" e redesenhadas da personagem, intensificando o debate sobre representação feminina na mídia.
5. Goblin Slayer - O Choque do Primeiro Episódio
Série de fantasia sombria e aventura, Goblin Slayer narra a história de uma Sacerdotisa de 15 anos que se junta a um grupo de novatos para investigar o desaparecimento de mulheres, até que seu time cai em uma emboscada fatal. É nesse momento de desespero que o protagonista titular surge para exterminar as criaturas.
O primeiro episódio gerou uma onda de indignação devido à sua violência sexual brutal e inesperada, além do gore excessivo. Muitos fãs sentiram que as cenas de agressão contra as mulheres eram desnecessárias e chocantes demais para o início da obra. Defensores, por outro lado, alegaram que a cena era essencial para estabelecer o tom realista e perigoso dos goblins, justificando o desejo insaciável do herói em exterminá-los.
4. Tate no Yuusha no Nariagari (The Rising of the Shield Hero) - Falsas Acusações e Escravidão
Assim como seu predecessor nesta lista, Tate no Yuusha no Nariagari enfrentou polêmicas logo na estreia. Na trama, quatro jovens são transportados para o reino de Melromarc como heróis. Naofumi Iwatani, o Herói do Escudo, é rotulado como o mais fraco e acaba sendo falsamente acusado de agressão sexual pela Princesa Malty, tornando-se um pária social.
A controvérsia explodiu quando Naofumi, isolado e traído, decide comprar uma escrava demi-humana, Raphtalia, para ajudá-lo em combate. Críticos argumentaram que a trama de falsa acusação e o uso de escravidão eram problemáticos e refletiam estereótipos misóginos do mundo real. Já os defensores afirmaram que a história foca no trauma da traição e na corrupção sistêmica, mostrando o crescimento do personagem em um ambiente hostil.
3. Berserk (2016) - O Desastre do CGI
Baseado na lendária obra de Kentaro Miura, o anime de 2016 de Berserk deveria ser a continuação épica da jornada de vingança de Guts contra Griffith. No entanto, a série se tornou infame pelo uso de imagens geradas por computador (CGI) de baixa qualidade, que muitos compararam a jogos de vídeo de gerações passadas.
A polêmica aqui é técnica: a qualidade visual era tão precária que muitos fãs consideraram a obra "inassistível". Embora a animação apresente leves melhoras após os primeiros episódios, a estética 3D falhou em capturar a arte detalhada e visceral do mangá, dividindo o público entre aqueles que conseguiram ignorar os gráficos pela história e aqueles que abandonaram a obra imediatamente.
2. Re:Zero kara Hajimeru Isekai Seikatsu (Re:Zero - Starting Life in Another World) - O Comportamento de Subaru
A primeira temporada de Re:Zero kara Hajimeru Isekai Seikatsu gerou debates intensos, especialmente durante o Arco 3. A história segue Subaru Natsuki, um jovem transportado para outro mundo com a habilidade de "Retorno pela Morte". No entanto, sua atitude em relação à Emilia e seu comportamento autodestrutivo irritaram grande parte da audiência.
Críticos rotularam Subaru como arrogante, possessivo, manipulador e anti-social, com alguns pedindo até o "cancelamento" do personagem. Em contrapartida, os defensores da obra explicam que o comportamento atroz de Subaru foi escrito propositalmente para destacar os danos psicológicos causados pelas mortes repetitivas e sua própria imaturidade, servindo como base para um arco de redenção profundo.
1. Mushoku Tensei: Isekai Ittara Honki Dasu (Mushoku Tensei: Jobless Reincarnation) - A Moralidade do Protagonista
Considerado o pai dos Isekais modernos, Mushoku Tensei: Isekai Ittara Honki Dasu acompanha Rudeus Greyrat, um homem de 34 anos fracassado que reencarna com suas memórias intactas. A polêmica central gira em torno do fato de que Rudeus mantém suas tendências pervertidas de sua vida passada mesmo no corpo de uma criança.
Cenas onde o protagonista (mentalmente um adulto) assedia personagens ao seu redor causaram repulsa em críticos, que alegaram que a obra força o espectador a acompanhar um personagem moralmente quebrado. Os entusiastas da série defendem que a narrativa é justamente sobre o lento e doloroso processo de Rudeus em desaprender seus hábitos nojentos e egoístas, focando na sua evolução como ser humano em um mundo de fantasia.